[Resenha] Palavras Quebrarão Cimento – A Paixão De Pussy Riot – Masha Gessen @emartinsfontes

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Palavras Quebrarão Cimento

A Paixão De Pussy Riot

Autor: Gessen, Masha

Editora: Martins Fontes – selo Martins

Assunto: Biografias

Ano de Publicação: 2016

Páginas: 316

Skoob

Em 21 de fevereiro de 2012, cinco moças entraram na Catedral do Cristo Salvador, em Moscou. Usando vestidos, leggings e balaclavas de cores vivas, elas apresentaram uma “oração punk”, suplicando à “Mãe de Deus” para “livrá-las de Pútin”. Foram rapidamente interrompidas pela segurança do local, e, nas semanas e meses que se seguiram, três delas foram presas e julgadas, sendo que duas foram enviadas a colônias penais em locais remotos. No entanto, o incidente foi estampado em manchetes internacionais e seus vídeos se tornaram virais. Pessoas do mundo inteiro reconheceram não apenas a ferocidade de um ato de confrontação política, mas também uma inspirada obra de arte que, em um momento e local repletos de mentiras, encontrara uma nova maneira de manifestar a verdade.

O fascinante relato de Masha Gessen conta como esse fenômeno aconteceu. Com base em seu amplo e exclusivo acesso às integrantes de Pussy Riot, suas famílias e colegas, a autora reconstruiu as fascinantes jornadas pessoais que transformaram um grupo de moças em artistas com um ideal em comum, deram a elas coragem e imaginação para expressá-lo de maneira inesquecível e dotaram-nas de força para suportar a solidão e o isolamento devastadores que têm sido o preço de seu triunfo.

Oração punk e prisão arbitrária na Rússia

Cinco moças entraram na Catedral de Cristo Salvador, em Moscou (Rússia), e cantaram uma “oração punk” contrária ao governo de Vladimir Pútin, atual presidente da Rússia e que alterna este posto com o de primeiro ministro no País eslavo desde o fim do século passado. O protesto ocorreu em 21 de fevereiro de 2012 e acarretou em muita dor de cabeça para as garotas que compõe a banda Pussy Riot.

Três delas foram identificadas e, posteriormente, indiciadas com base em teses que fariam qualquer jurista sério passar mal. Segue um trecho da “oração”: “virgem Maria, mãe de Deus, livre-nos de Pútin (…) vire feminista, vire feminista/A Igreja reverencia ditadores podres”, diz trecho do livro “Palavras Quebrarão Cimento – a paixão de Pussy Riot”, editora Martins Fontes.

Os versos foram gritados pelas garotas criticando o apoio do líder da Igreja Ortodoxa durante uma das campanhas eleitorais de Putin. Nadezhda Tolokonnikova, Maria Alyokhina foram presas em três de março de 2012 e Yekaterina Samutsevich foi detida treze dias depois. Foram acusadas de vandalismo e intolerância religiosa. O patriarca Krill 1º afirmou na ocasião que a banda estava fazendo “o trabalho do demônio”.

Esta é a versão oficial divulgada pelas autoridades sobre a ação do grupo. No entanto, o que é oficial não necessariamente é verdadeiro e, por causa disso, a jornalista bielo-russa Masha Gessen entrevistou as integrantes do Pussy Riot, além de parentes e amigos que acompanharam todo o período de tranca das garotas.

As três integrantes da banda foram julgadas. Duas foram condenadas e encaminhadas a colônias penais, onde foram tratadas como e também conviveram em meio a criminosas “de verdade”.

O relato sobre o júri das artistas, assim o processo transcorreu, lembra cenas de histórias do escritor tcheco Franz Kafka (1883-1924). Masha conta com detalhes os argumentos absurdos usados pela Justiça russa para endossar uma decisão que, tosca e evidentemente, se pautou em defender a ideologia distorcida proposta pela quase ditadura de Putin, que condena a quem se opõe a ele.

Com estilo objetivo e rico em detalhes este livro mostra que a humanidade precisa mudar muito e, também, deixa claro que crises e abusos de poder ocorrem além de nossas fronteiras.

Por Alfredo Henrique

Foto Lucas Dantas

Sobre a autora:

Masha Gessen é uma jornalista russo-americana, autora de diversos livros, incluindo Blood Matters e The Man Without a Face: The Unlikely Rise of Vladimir Putin. Seu trabalho apareceu na Vanity Fair, no New York Times, na Newsweek, Slate e em muitas outras publicações.

Para mais informações acesse ⇒ www.emartinsfontes.com.br

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